As densas nuvens do porvir distante
Desdenha-as a sua epica alegria,
E a sua heroica e sã philosophia
Nada, até hoje, eguala e é semelhante.
Decerto, é grato ao soffrimento insano Dos tristes, quando surge o rosto humano Da lua, abrandecer o Ceu com ais;
Mas, quando é que jámais dobrou á Sorte,
A alma do fakir, paciente e forte,
Mais sereno que as plantas e os metaes?!
*DISPUTA*
Voltaire dando com o pé n'uma caveira, ria
Com certo riso mau, sinistro e mofador;
—A velha companheira, então, da Theologia
Dos santos e da Cruz bradou ao pensador:
—És tu impio Voltaire, ó verme roedor
Das folhas do Evangelho! ó Satan da ironia!
Cujos risos crueis fazem chorar Maria,
E despregam do lenho a ensanguentada flor!?
Tu tens lançado o cuspo aos astros lancinantes;
Abalado da Cruz os cravos vacillantes;
E ladrado de Deus que julgas a dormir!…
Mas olha em cima é o Ceu, dos astros sementeira!…
—Voltaire disse-lhe então: Pois se assim é, caveira,
Por que te encontram, sempre, ao pé da cruz a rir?
*AS CATHEDRAES*
Como vos amo ver ó cathedraes sosinhas,
A recortar o azul das noutes constelladas!
Erguidos corucheus, mysticas andorinhas,
—Ó grandes cathedraes do sol ensanguentadas!