O seu tumulo terá goivos e rosas,
E vãs estatuas lividas, chorosas,
E epitaphios em lugubre latim.
Terá palmas mais verdes que a Esperança;
—Mas a alma, em cima, escreverá:—Descança!
Serpente, irmã de Judas e Cain!
*SONETO D'UM POETA MORTO*
Achado nos seus papeis
Bem sei que hei de morrer cedo e cansado,
Alguma cousa triste em mim o diz,
E vagarei no mundo desterrado,
Como Dante chorando a Beatriz.
Pelos reinos, irei talvez curvado,
Como um proscripto princepe infeliz,
Ou como o indio pallido e exilado
Chorando o vivo azul do seu payz.
Mas no entanto, ah! ninguem ao Sol divino
Abrasou mais as azas, derretidas
Ante as duras, ferozes multidões!
E ninguem teve a torre d'ouro fino,
Aonde, quaes princezas perseguidas,
Morreram minhas doudas illusões!