*CAIN*
Cain no mundo errante, desterrado,
Fugindo á sua dôr cruenta e dura,
Morria sobre um valle, abandonado,
No sollo primitivo da Escriptura.—
O remorso—esse mal que não tem cura—
Não abatia o peito allucinado
Do que nasceu no seio do Peccado
Que herdou depois a géração futura.
Do Ceu sem mendigar luz nem consollo
Conservava inda erguido e altivo o collo;—
Mas nessa hora fatal que a todos vem…
Cain velho rebelde,—e atheu primeiro—
Nosso pae, nosso irmão, como um guerreiro.
Bradou, caindo—Ó Terra! ó Minha Mãe!
*A PRIMAVERA*
De Julio Forni
Hãode dizer-me—Insensatos!
Que tenha novos amores,
Que brilham já outros soes,
De novo se abrem as flores
E é o tempo dos rouxinoes.
E dirão inda depois:
Que a primavera começa,
E andam aromas no ar,
Que nos sobem á cabeça,
Como um vinho singular.
E eu dir-lhes-hei: Que m'importa!
Faz frio, fechem-me a porta!
—Ella, o meu bem, meu abrigo,
Levou, desde que está morta,
A Primavera comsigo!