Ella, então, meditou no seu passado;
No seu primeiro beijo; nas lembranças
Talvez, do seu vestido de noivado.
E nas tardes das eiras; e das danças
Ás estrellas, e aquella vez primeira
Que a rosa lhe furtou das longas tranças!
E aquella tarde junto da amoreira,
Que trocaram as mãos; e na janella;
E quando olhavam, juntos, a ribeira.
E quando era timida e singella…
……………………………………
Lá fóra, dava o vento nos caixilhos;
Não brilhava no ceu nem uma estrella.
E, áquella hora da noite, por que trilhos
Andariam no mundo—ella scismava—
Nas miserias, talvez, sem rumo, os filhos!
Elle na manta velha resonava.
*AQUELLE SABIO*
N'aquellas altas janellas
Que deitam para o telhado;
Eu vejo-o sempre encostado,
A namorar as estrellas.
Tem assim ares d'empyrico
Mui lido em philosophástros;
É um pobre poeta lyrico,
Que escreve cartas aos astros.
Traz luto nos seus vestidos
Por uma Ophelia de menos,
Tem uns cabellos compridos,
E uns olhos tristes, serenos.