MEPHISTOPHELES
Escrevi o meu amor
No muro do coração,
N'uma noute de relento,
Com teus olhos de carvão!
FAUSTO
Por que estaes, soes, encobertos,
Ó tristes olhos amenos!
Receias ó minha esquiva!
Não te crestem os serenos?
A voz (cantando já ao longe)
Quando subiu ao Ceu Christo
Depois da paixão da Cruz,
Subiu por vós, ó estrellas!
Que sois escadas de luz!
MEPHISTOPHELES
Eu deixarei, ó trigueira,
D'amar tuas tranças negras,
Quando mandarem os sapos
Sonetos ás toutinegras.
FAUSTO
Fecharam-se as violetas
E dormem as andorinhas;
A mim ha muito que o somno
Desertou das noutes minhas!