(Nevrose d'um Lord.)

A idéa de teu corpo branco amado,
Belleza esculptural e triumphante,
Persegue-me, mulher, a todo o instante,
—Como o assassino o sangue derramado!

Quando teu corpo pallido, e brijado,
Abandonas ao leito—palpitante,
Quem jámais comtemplou em noute amante,
Tentação mais cruel, tom mais nevado?!

No emtanto—duro, excentrico desejo!
—Quisera as vezes que a dormir te vejo
Tranquilla, branca, inerme, unida a mim….

Que o teu sangue corresse de repente,
Fascinação da Côr!—e extranhamente,
Te colorisse pallido marfim!

*A UM CORPO PERFEITO*

Nenhum corpo mais lacteo e sem defeito
Mais roseo, esculptural e femenino,
Pode igualar-se ao seu, branco e divino
Immovel, nù, sobre o comprido leito!—

Nada te eguala! O ferro do assassino
Podia, hoje, matal-a, que o meu peito
Seria o esquife embalsamado e fino
D'aquelle corpo sem rival, perfeito.

Por isso é muito altiva e apetecida;—
E o goso sensual de a vêr vencida
Ha de ser forte, extranho e singular…

Como o das cousas dignas de castigo;
—Ou d'um amante sacerdote antigo,
Derrubando uma deusa d'um altar.