Eterno visionario,
E adorador do Sol…
Creio que no Calvario
—Cantaste, rouxinol!

*Á POMBA QUE VOOU*

Foste-te, ó luz das solidões amenas!
Ó grandes olhos tristes, ideaes!
—Partiste, casta pomba d'alvas pennas,
Em procura dos lucidos pombaes!

……………………………………

Tu estás hoje entre as hervas e as poeiras,
Ou cheia de celestes claridades!
Ó doce irmã das rolas companheiras!
Por ti ouço chorar as larangeiras!
E de luto vestirem as saudades!

Ah! quantas vezes, n'este mar d'escolhos,
Comtemplando o azul duro e sem fim…
E os pés ensanguentados nos abrolhos,
Eu nas estrellas creio vêr teus olhos
Que estão chorando lagrimas por mim!

Teu corpo está talvez, dilacerado
Entre as plantas escuras e as raizes!..
E, ah! que vezes talvez, n'um ai cortado
Não me terá teu seio immaculado
Entre as hervas bradado—Não me pizes!

Por isso vou curvado para o chão
Com medo de pizar-vos, tranças bellas!
—E ah! quantos, como eu, tambem irão,
Correndo o mundo atraz d'uma illusão,
Ou soletrando as mysticas estrellas!

……………………………………

Foste-te luz das solidões amenas!
Ó grandes olhos trístes divinaes!…
—Partiste, casta pomba d'alvas pennas
Em procura dos lucidos pombaes!