EPISTOLA
Á
PRIMAVERA

Vai a Epistola em tudo outra da que fôra na primeira Edição: conserva a invenção e os pensamentos, mas emendou-se a linguagem, apertou-se o estilo, deu-se alguma côr mais ás imagens, explicarão-se melhor alguns pensamentos, reformarão-se e afinarão-se quasi todos os versos.

DEDICATORIA
A MINHA IRMÃ.

Eu mandei o meu Genio campestre apanhar flores por entre os gelos do inverno. Formosas não saírão, bem o sei, porem n’esta estação do anno não mas dá melhores o estreito jardimzinho que me as Musas doarão nas fraldas do Parnaso. A ti, minha Irmã, me ordena o coração que as offereça. Felicidade será para mim, se quando para o teu lado me tornar, tu me disseres abraçando-me:—“Eu amo as flores que tu me enviaste, no meu seio as guardo: as da primavera menos me contentão do que estas, que o teu Genio campestre colhe no teu jardim, por entre os gelos do inverno.”

DUAS PALAVRAS DE INTRODUÇÃO