NOTA
AO IDILLIO.
Na muita rama que ao Idillio decotei para esta segunda edição, ninguem, por mais que a cate, poderá achar fruto, nem sequer uma triste flôr, se a não he o passo que para aqui traslado, da falla de Alexis pag. 96 na primeira edição; ácerca do qual e de tudo o mais quanto supprimi ou accrescentei, releva reclamar pela maior indulgencia dos leitores. Não ma negará quem ja alguma vez houver experimentado como de todas as couzas, que parecendo tenues, são agras e laboriosas, a mais agra, laboriosa, e não sei se diga impossivel, he poetar e metrificar as fallas da infancia: caminho he esse que estreitissimo corre por entre precipicios, sendo maravilha que ahi os maiores engenhos se tenhão, e sigão sem caír ou para a direita ou para a esquerda. O primeiro e melhor juiz do homem candido he a sua consciencia: a minha me diz que os trez filhos de Menalca nem sempre, antes poucas vezes, fallão como conviria: de sobejo são poetas para meninos e rusticos; e tanto, que se não fôra a resalva, que logo do comêço lhes vai lançada, de serem filhos de improvizador, e por elle doutrinados no canto, não haveria perdão que de ridiculos os salvasse.
Segue-se o excerpto, com todos seus defeitos e aleijões de nascença:
O MENINO ALEXIS.
Ver-me no bosque de prazer me enchia;
Quando Amintas, chamando-me da gruta,
Aonde estão de musgo revestidas
As imagens das Náiades da fonte,
Assim me disse, dando-me uma rosa: