NOTAS

[1] Alguma vez publicarei o que acerca d’isto disputamos por Cartas, de Lisboa para Coimbra, o Padre José Agostinho de Macedo e eu. Negava aquelle escriptor, de incontrastavel talento, que a Poesia Allemã e Suissa mais fosse do que a nossa rica em graças naturaes, e amena frescura, antes affirmava que a nossa a excedia grandemente. Ou não escrevia elle deveras, ou se convenceo do erro, como será de ver das Cartas, quando ellas aparecerem. O motivo porque até hoje as tenho dos publicos olhos resguardadas, outro não foi senão recêo de que se me attribuisse a vãgloria a publicação de uma disputa em que tamanho sujeito me cedeo, principalmente sendo notorio que o favor que em seus escritos deu ás minhas primeiras tentativas poeticas e infantis, jamais o denegou com o andar do tempo, antes o reforçou com mui graciosos louvores.

[2] Conceder-lha-heis, se ja não tiverdes determinado emprega-la em outro uso, ou fundar nesse sitio alguma caza de Commissão que nada faça, ou algum quartel de guarda que legisle sobre os destinos publicos.

[3] O Livro Le mie Prigione, quanto á utilidade prática leva, me parece, a palma á Imitação de Kempis. Em Kempis apparece a descrição da caridade e piedade, em Silvio a applicação d’ellas aos successos da vida. Kempis aconselha, Silvio ensina a perdoar, a amar, e a ser feliz, em despeito da fortuna: dá o exemplo d’isso, he elle proprio o exemplo.

[4] Quem bem reparar na justiça rigorosa (de cruel a taxaráõ alguns) com que eu proprio trato a minha Musa, perdoar-me-ha quando por amor ás nossas letras, aponto um defeito em meu mestre e amigo o Snr. Antonio Ribeiro dos Santos. Inda assim, porque me não fique remordendo a consciencia, como expiação, e mui suave, porei no fim do volume um penhor do meu respeito e grato animo a tão grande varão; capitulo ja impresso no Jornal dos Amigos das Letras, mas por isso mesmo apenas conhecido.

[5] Meu irmão Augusto Frederico de Castilho.

[6] Meu irmão Adriano Ernesto de Castilho.

[7] As Senhoras Mellos, a quem pertence a Lapa e a Quinta das Canas.

[8] Na Primavera de meu Irmão Augusto Frederico de Castilho ha um lugar parallelo, não quanto á expressão, mas quanto ao pensamento principal. Releva porem que em duas couzas se advirta: a uma, que nenhum de nós foi plagiario, nem o podiamos ser, porque todos compunhamos em segredo; a outra, que o passo do poema, em que elle descreve Nize a figurar de Primavera, leva grande vantagem de valia a estes versos!

[9] Augusto Frederico de Castilho.