«Dentro em pouco esta Associação, composta de alguns centenares de pessoas, desde a mais alta nobreza, até á mais humilde profissão, incluindo as principaes Auctoridades da Ilha, e tendo á sua frente o seu instituidor e incançavel procurador, o snr. Antonio Feliciano de Castilho, abriu ao Publico aulas, de leitura, de Doutrina christan, de arithmetica, de geometria applicada ás Artes, de desenho de figura e paizagem, de poetica e declamação, de hygiene, de francez para senhoras, de inglez para homens, de geographia, de encadernação, de agrimensura, de desenho topographico, de dança, de torno, e de pyrotechnia; e projecta abrir aulas de economia politica, de historia, de gymnastica, de natação, de calligraphia, e de musica.

«Algumas d’aquellas aulas, frequentadas por um numero consideravel de individuos, numero que excedeu toda a expectação, vão dando de si os melhores resultados.

«Fazendo nas suas salas uma Exposição da Industria michaelense, reuniu abundantissima copia de productos, tão variados, e muitos tão excellentes, que apresentaram um quadro bem esperançoso dos progressos industriaes d’aquella Ilha[14]; quadro que em breve ali se deverá repetir; accrescentado e melhorado sem duvida pelo poderoso estimulo e nobre emulação, que o primeiro deveria produzir no animo de todos os industriaes.

«D’est’arte, esta sabia Instituição vai fazendo convergir para um centro, para um fim de utilidade geral, as ideias e exforços dos moradores de S. Miguel; e, ao passo que attrai para esta obra de interesse publico, vai fazendo tolerantes os partidos; vai-lhes unindo os homens; vai adoçando os costumes, e moralisando o Povo pelas relações da intima convivencia, pelos apertados laços do interesse commum.

«Mas para que o pensamento d’esta Associação se possa desenvolver como o concebeu seu illustre autor, como o expressam os Estatutos da Sociedade, já approvados pelo Governo, como o desejam todos os Socios, e com elles todos os Michaelenses, é necessario um edificio, com a capacidade e construcção proprias para as diversas escolas, para as sessões, para uma bibliotheca, para um museu, para um theatro de declamação, para uma sala de concertos musicos, para as exposições, e para um basar de productos industriaes.

«Lembrou-se a Sociedade de o construir á sua custa, e para esse fim encarregou o seu Presidente, o snr. Antonio Feliciano de Castilho, de vir pedir ao Governo e ás Côrtes a pequena cerca do extincto convento da Conceição, e a adjacente área e ruinas da egreja de S. José, para ali se fundarem os estabelecimentos da Sociedade.

«O requerimento já foi presente á Camara electiva, e depois remettido á Commissão competente. Uma e outra, dando a este negocio a importancia e consideração que elle merece, esperamol-o com confiança, não só o hão-de resolver favoravelmente, mas com a brevidade que reclama um objecto de tamanho interesse publico.»

X
Carta ao redactor da «Verdade,» semanario michaelense

Snr. Redactor

Permitti, que eu tome na vossa folha um pequeno espaço para um acto de gratidão; dal-o á primeira de todas as virtudes não é perdel-o. Entendimento superior, vós comprehendeis que os interesses materiaes, e intellectuaes, que a vossa folha se encarregou de promover, não são os unicos de que depende a felicidade publica. Tanto, pelo menos, como esses, contribuem para ella o desempenho dos deveres moraes, e os affectos nobres.