¡Brava! ¿não ouve uns sinos que repicam?
¡olhe um foguete! ¡truz! ¡Viva o Vinagre!
¡e viva a ceia e a cama que estão perto!
IV
Com effeito, assim era; a poucos passos
já se ouvia tambor, gaita de folles,
risadas, bombas. Apressando as mulas
na direcção dos sons e da fogueira,
descemos uma encosta, a cujas abas,
entre uns poucos de antigos castanheiros,
uns cinco ou seis pastores se occupavam
a abobadar de murta uma fontinha.
Interromperam logo o seu trabalho
para nos vir saudar; mostraram pena
de ouvir que nos perdêramos no monte,
off'recendo á porfia os seus albergues.
Não findara a benevola contenda,
se um d'elles agarrando o freio á mula
me não posesse a andar; agradecendo
os desejos dos mais que inda ficavam,
segui affoitamente o nosso guia.
*
Uma ponte de pau que atravessámos
coberta de chorões, nos poz á borda
de um trigo já maduro e sussurrante,
contiguo ao seu casal. ¡Quanto eu folgara
de descrever tudo isto! Uma casinha
plantada ahi como risonha ilhota
n'um vasto mar de tremulas searas,
e clara como a neve, ou como a lua
que a espreitava do ceo por entre as folhas
de um esquivo parreiral. Junto ás paredes,
de rosas e limeiras revestidas,
canapés de cortiça apresentavam
a imagem do descanço e a do convite.
Não era necessario entrar a porta,
para já conhecer o domicilio
da hospedage e da paz; que as proprias auras,
como que em tão poeticas folhagens
se ouviam sussurrar: ¡«Bemvindo o estranho!»
*
Não longe lhe ficava a sua aldeia
na c'roa de um oiteiro; pensarieis,
vendo-as tão perto, e um bosque a separal-as,
a aldeia tão brilhante de fogueiras
e esta casa tão só mas tão alegre,
pensarieis, como eu, ver n'uma festa
moça ausente e feliz, amante e amada,
que entre o prazer commum não quer nem deve
ir desfazer seus pensamentos doces.
*