II
Moram aqui uns vizinhos
Que sabem quanto fazemos;
São capazes de informar-nos
Se nos devem, se devemos…
Em vindo qualquer pessoa
Nossas tenções inquirir,
Manda-se lá… inteirada
Por certo que ha de sahir!
III
Dizer que Deus dá Castigos
Eternos, que não têm fim,
É a maior das blasphemias,
Heresia, quanto a mim…
Se os homens, por maus que sejam,
Tal não podem legislar,
Porque a Morte aos criminosos
Vem da pena libertar,
Querer que Deus os exceda
No rancor e na secura
É de embrenhar nosso espirito
Nuns abysmos de amargura!
IV
Deixemos, Amor, deixemos
Questões de philosophia;
Pode nellas haver sciencia,
Mas não podem ter poesia.