GALATÉA.

Vê bem o estrago, que em mim fez o pranto. Estes olhos, que tu chamavas bellos, Hoje magoados fugirás de vêllos.

ÁCIS.

Assim mesmo são dois lindos diamantes, Quie inda eclipsados, sempre são brilhantes. Mas dize, Galatéa, que motivo Acendeo esse fogo, tão activo?

GALATÉA.

A ausencia de tres dias (longos dias!) De lagrimas, de sustos, de agonias; E mais que tudo hum sonho feio, horrivel, Que o não matar-me, não parece crivel: Sonho cruel, que me pintou na idéa A desgraça maior, scena mais feia: Que o monstro Polyfemo te arrancára A amavel vida, que esta vida ampara.

ÁCIS.

E credito lhe déste, sendo esperta?

GALATÉA.

Sim, que a má nova quasi sempre he certa.