GAMALIEL
Que chega a ser um attentado
Á memoria do Mestre abandonar o arado
Com que elle andou lavrando a consciencia humana!
Eu quero a lucta, sim, mas nunca a lucta insana,
Que esfria os corações e purpurisa as ruas!
Não quero vêr brilhar ao sol espadas nuas!
Impiedades brutaes, odeio-as e renego-as!
SIMÃO PEDRA
Mas faláste de lucta.
GAMALIEL
Humilde, mas sem trégoas;
Branda, mas incisiva; humana... mas divina!
Como arma, aquelle dom secreto que extermina,
Ferindo os corações sem que haja soffrimento.
Ruge, como o trovão e géme como o vento,
Murmúra como a fonte e estála como o raio,
Tem a ardencia do fogo e a alvura do desmaio;
Dolente, acaricía; em furias, escalavra!
Esta arma triunfante, esta arma...
JOÃO com o olhar brilhante:
É a palavra!
Mas logo receioso:
Falar ás multidões...?