JOÃO cheio de ardente enthusiasmo messianico:

É meu o encargo!
O caminho do Bem eu vejo, como outr'ora
A escada de Jacob á luz da meiga aurora.
Por ella vae subindo um côro triunfal
Proclamando no Espaço o amor universal
E a guerra sem clemencia ás abjecções e ao vicio.
Ávante! Não desabe o sólido edificio
De que o Mestre assentou as bases! O thesoiro
Da palavra, caíndo em grande chuva de oiro,
Enriqueça de novo a consciencia humana!
Inspira-me, Senhor! a minha estrada aplana!
Tu, que fizeste a luz, tu que fizeste o dia,
Uma scentelha só do genio teu envia
Ao meu cerebro! Dá-me a força necessaria
Que torne a minha voz da tua a emissaria!
—Vamos, Gamaliel!

GAMALIEL como n'um grito de rebelião, avançando para a cidade:

Gloria ao profeta novo!

JOÃO vibrantemente:

Dou a minha alma a Deus, e a minha vida ao Povo!

Entram todos na cidade, ouvindo-se logo a voz de

GAMALIEL bradando:

Negra Jerusalem, escuta, ó assassina,
D'aquelle que morreu a divinal doutrina!

E depois, mais distante: