Não; sahi,
Mas foi por pouco tempo.

SIMÃO PEDRA muito confidencial:

Então eis o motivo...
—Durante toda a noite esteve pensativo
E por mais d'uma vez fugiu-nos á conversa
Com palavras banaes e frias. Tão submersa
Tinha em meditações a alma, que ninguem
Deixou de perceber...

SIMÃO

Percebi eu tambem
Que, muito mais que outr'ora, havia no seu rosto
A fiel expressão d'um intimo desgosto.

SIMÃO PEDRA

Maria, aquella honesta e bôa rapariga,
Desejando seguir a usança muito antiga
No povo do Senhor, a de render um preito
De sincera amizade e natural respeito
Ao viajante illustre a quem se dá guarida,
Abeirou-se da mesa, e, muito commovida,
Derramou sobre o Mestre um perfumado unguentoDe nardo puro. Então, infame sentimento
De Judas se apodéra. Em vez de prazenteiro
E alegre como nós, aquelle companheiro
Reputado fiel, só tem uma censura
Para galardoar a prova de ternura:
—«Melhor fôra, elle diz, que esse custoso nardo
Se tivesse vendido. Eu, que o dinheiro guardo,
Saberia guardar tambem zelosamente
A importancia da venda a todos pertencente,
Entregando-a depois em meu e vosso nome
Áquelles que teem frio e áquelles que teem fome.»

SIMÃO como assombrado:

Mas isso foi um insulto! E o mestre?

SIMÃO PEDRA