E por entre dentes, inaudivel e rancoroso, saíndo a porta:

Canalha!

JOÃO ficou meditando, e depois generosamente, como falando á sua propria consciencia:

Oh! fui desapiedado! A sua voz tornou-se
Tão lacrimosa e humilde! É mui de crêr que eu fosse
Pedir ao exagero o auxilio necessario
Para augmentar de vulto o crime involuntario,
Ou a leviandade alheia á malvadez.
Pobre Judas! E vae fugir de nós! Talvez
Arrastar pelo mundo uma existencia nua
De affectos, desgraçada... E não por culpa sua...

Á porta de casa appareceram Eleazar, Simão Pedra, Matheus e Simão de Bethania.

ELEAZAR indicando João aos companheiros:

Eil-o aqui está! E nós á tua espera!

SIMÃO PEDRA

São horas de partir para a cidade.

JOÃO cercado pelos amigos e já esquecido do que se passou, todo o seu pensamento entregue ao Mestre: