[135] Antigüedades prehistoricas de Andalucia.

[136] Os dolmens, Lisboa 1876, pag. 36. Convém accrescentar outra analogia importante. As inscripções de certos logares do Novo Mexico são coloridas como as da Andaluzia.

[137] Op. cit. cap. V.

[138] Rougemont, L’âge du bronze, pag. 26.

CAPITULO VIII
IDADE DOS METAES

Porque não admittem a maior parte dos archeologos uma epoca de cobre?—Hypotheses para explicar a raridade dos objectos de cobre.—Abundancia d’estes objectos na Peninsula.—Haveria na peninsula Iberica uma epoca de cobre?—Coincidiriam essa epoca e a da pedra polida?—Substituiria a do bronze?—Objectos de cobre e de bronze, achados em Portugal.—Machados, ponta de frecha, faca, e serrote, espadas.—Punhaes de bronze e de ferro da Galiza.—Brevidade dos punhos.—Lendas dos pygmeus—Idolos e cabras de bronze.—Os primeiros dos exploradores do cobre na Peninsula foram anteriores aos phenicios.—Provas da fundição do bronze na Hespanha, ilhas Baleares e da Sardenha.—Classificação dos jazigos de bronze.—Fundições e thesouros.—Casta asiatica de fundidores nos tempos antigos e modernos.—Os ciganos.

Está commumente adoptada, já o dissemos, a divisão dos tempos prehistoricos em duas idades: a da pedra e a dos metaes; e a subdivisão d’esta ultima em duas epocas: a do bronze e a do ferro. Quem souber porém que o bronze é uma liga de cobre e estanho, que o segundo d’estes metaes é menos commum que o primeiro e de mais difficil extracção, e finalmente que, sem se conhecerem ambos, não se inventaria a sua liga, de certo perguntará porque se não faz preceder a epoca do bronze pela epoca do cobre? A razão é simples. Em quasi todas as nações da Europa apparecem tão numerosos os objectos de bronze e tão raros os de cobre, que se têem refusado os archeologos a admittir uma epoca só caracterisada por este metal. Das construcções lacustres de Neuchatel na Suissa têem extrahido numerosos objectos de bronze e nenhum de cobre[139]. Julgava-se que a Hungria e a Irlanda constituiriam excepções á regra geral. Mas a estatistica dos objectos prehistoricos de bronze e de cobre do museu de Dublin não auctorisou a admittir para o ultimo d’aquelles paizes uma epoca do cobre. Entre mil duzentas oitenta e tres armas apenas se contaram trinta machados de cobre e uma folha de espada que diziam ser tambem do mesmo metal[140]. Relativamente á Hungria logo veremos qual é a verdade.

Para explicar a falta de um periodo naturalmente necessario na evolução de industria metallurgica, ha quem supponha que a arte de fazer o bronze não sería inventada na Europa, mas aqui introduzida por algum dos povos emigrados do Oriente. D’este modo os europeus não teriam fabricado o cobre, porque, iniciados na arte de fundir o bronze, tornar-se-lhes-hia inopportuno o fabrico do cobre por ser muito menos duro no estado simples que unido ao estanho. A fim de provar a possibilidade d’este facto não faltam outros analogos. Affirma-se, por exemplo, que certos povos septemtrionaes da raça dos finnicos, em suas origens, não conheciam nem o cobre nem o bronze, porém sómente o ouro e o ferro. Nos tempos historicos não faltarão exemplos de selvagens, a quem os europeus fizeram passar de repente da epoca da pedra polida á do ferro, sem terem percorrido a phase intermedia da epoca do bronze.

Outra hypothese para explicar a raridade dos objectos de cobre, em relação aos de bronze, na maior parte dos povos da Europa, é que nos tempos prehistoricos se não prepararia o bronze pela reunião immediata de cobre e do estanho; mas pela extracção de um minerio que contivesse ambos os metaes, ou pela mistura do minerio de estanho com o de cobre. A uniformidade da composição do bronze, e até as proporções determinadas em que se encontram o cobre e o estanho em cada genero de instrumentos, conforme deveriam ser mais ou menos duros para bem satisfazer ao fim a que se destinavam, demonstram o nenhum fundamento de tal hypothese.

Outros dizem que a industria do fabrico do bronze sería uma sequencia natural e necessaria de factos anteriores, e que povos differentes e incommunicaveis se elevariam, progressivamente e sem extranho auxilio, do fabrico da pedra lascada ao da pedra polida, d’este ao do cobre, e finalmente ao do bronze, bem como do fabrico do bronze passariam da mesma sorte por uma evolução necessaria ao fabrico do ferro. Causas intrinsecas ou extrinsecas reduziriam em certos povos a pequeno espaço de tempo a duração da epoca do cobre, que por tanto deixaria de si poucos ou nenhuns vestigios. Esta hypothese com quanto seduza a imaginação pela simplicidade, e por se basear na lei do progressivo aperfeiçoamento da industria humana, parece todavia não ser conforme aos factos. Ninguem duvida da similhança e até da identidade dos objectos de bronze, encontrados nas mais distantes e nas mais varias das regiões da Europa[141]. Ora tal similhança ou identidade seriam impossiveis, se cada povo tivesse inventado por si mesmo o cobre, o estanho e a liga d’estes dois metaes.