Fig. 78

IDOLOS DE BRONZE DA BIBLIOTHECA DE EVORA.

Fig. 79

Fig. 80

CABRAS DE BRONZE DA BIBLIOTHECA DE EVORA.

Os primeiros dos exploradores das minas de cobre na Peninsula, os primeiros dos que fabricaram os velhos machados de cobre devem ser anteriores aos phenicios e ao tempo em que estes colonisaram alguns dos logares septemtrionaes da Africa e meridionaes da Hespanha no seculo XII. As condições de um povo que explorava o cobre com martellos de pedra, e se servia de machados grosseiros d’aquelle metal não concordam de modo nenhum com o que sabemos ácerca da civilisação adiantada dos phenicios e dos povos mediterraneos no tempo da fundação das primeiras das colonias tyrias. A nossa epoca do cobre foi portanto anterior aos phenicios e aos etruscos, conclusão a que chegára Desor na Suissa, relativamente á epoca do bronze, pela falta de objectos de ferro nas palafittas d’aquella epoca. Mas se na Suissa não é possivel determinar, presumir ao menos que, povo ali introduziria o commercio do bronze, na Iberia a exploração e fabríco do cobre parece naturalmente relacionarem-se com algum dos povos da Asia, e de uma região onde as minas de cobre eram tambem exploradas.

Se os bronzes das palafittas da Suissa e das terramaras da Italia se hão de julgar anteriores á epoca do ferro e portanto mais antigos que os etruscos e phenicios, a que remotissimas eras se não reportarão os machados de cobre da Peninsula? Mais adiante examinaremos as razões que fazem provavel a opinião de que as primeiras explorações das minas de cobre na America, na Hungria na Transylvania e na Iberia fossem contemporaneas e talvez resultantes de uma antiga civilisação turania irradiante da Asia para as outras partes do mundo[158].

Á epoca do cobre succedeu a do bronze, quando um povo navegador e commerciante introduziu na Peninsula ou os instrumentos de bronze ou o estanho para se fabricarem. É possivel que esta introducção fosse por algum povo anterior aos phenicios e etruscos. Se a hypothese de Nilsson acha contradictores na sua applicação á Scandinavia, com mais força de razão se poderá impugnar relativamente á peninsula Iberica. É porém certo que o uso do bronze se prolongou durante a colonisação phenicia, dilatando-se até pela epoca romana. Ninguem ignora a importancia que teve Cadix no commercio do estanho que os phenicios iam buscar a Cornwals. Ora, sendo a Peninsula abundante de cobre, não deixaria portanto de haver fabricas de bronze n’aquellas e n’outras colonias phenicias. Strabão falla de espadas de bronze, feitas em Cadix[159]. Na Sardenha têem apparecido até hoje oito matrizes de fundir armas de bronze[160]. O punhal de bronze e o punho de outro de ferro do mesmo typo, achados na Galiza, provam que um mesmo povo, na mesma epoca, ou em epocas proximas, fabricaria armas de bronze e de ferro. Em taes condições estavam os phenicios, pelo menos durante os ultimos tempos da sua existencia nacional.

As Baleares, como a Sardenha, como a Etruria, foram de certo focos, d’onde irradiaram para longes terras, pelo commercio, os objectos de bronze. Strabão diz serem os habitantes das Baleares optimos fundidores, e exercitarem esta arte desde o tempo da occupação d’aquellas ilhas pelos phenicios[161].