Ao rez da terra, para as aleijadas e os tropegos velhinhos indigentes Se não cançarem a subir escadas…

Amplas janellas para a natureza.
Que o sol na sua clara irradiação
Dissipe atravez dellas a tristeza;

Amplas—e baixas. Quem precise pão,
E o vir da rua sobre a nossa meza,
Que estenda o braço, que lhe lance a mão…

Ao lado um horto e um jardim fragrante,
Sem grades aguçadas para o céu.
A grade é agressiva, hostilisante,

E sempre a impressão cruel me deu
Dum dono que bradasse ao caminhante:
—Tudo isto aqui é meu, sómente meu…

Sem gradeamento. Um murosito apenas
Revestido de rosas de toucar,
De ariolas, de glicinias, de verbenas.

Muro d'onde os que forem a passar
Vejam lilazes, cravos, assucenas…
—E a paz, a doce paz do nosso lar.

O QUE O FOGO POUPOU DUM POEMETO QUEIMADO

Ao Conego Manuel do Nascimento Simão

I