Vamos vogando
No lago brando
E sem limites do silencio amigo…

O ultimo e cavo
Accorde do cravo
Ficou vibrando exclamativamente.

E, em espiral
Ascencional,
Cingiu-nos num abraço enlanguescente.

Na alcatifa macia
Entrou na agonia
Uma rosa sedenta e abandonada,

E a ambos nos invade
A mistica vontade
D'entrar na morte, no não ser, no nada…

Com seu docel vermelho
Forrado d'oiro velho,
Que evoca velhas eras d'esplendor,

O leito pesado,
Como um deus concentrado,
Remembra obscuramente o nosso amor…

Na atmosphera morna
O teu corpo entorna
Um perfume subtil, sensual, complexo,

Aroma inapagavel,
Philtro informulavel
Gerado á chama clara do teu sexo.

Teus olhos silentes
E transparentes
Teem, no fundo, verdes melancolicos,