Sob este céu creador
De manhã vergiliana,
Apetece ser pastor
E tocar frauta de cana;

Não, pastor d'autos d'amor,
D'eclogas frias e velhas,
Mas verdadeiro pastor
De verdadeiras ovelhas…

Não conhecer o talento
Nem nada do que se ensina.
Esta dôr do entendimento
É peor do que se imagina…

Guiar o meu coração
Num ingenuo christianismo.
Esta civilisação
É cheia de pessimismo…

Comer pão negro, pão duro,
Beber o leite das peáras.
Pão de centeio é escuro,
—Mas põe as almas ás claras…

Amar alguma pastora
Com palavras e com obras.
Estas senhoras d'agora
São mais falsas do que as cóbras…

E vêr crear com carinho,
Com cuidados infinitos,
Á companheira, um filhinho…
E ás ovelhas, borreguitos…

MEDITAÇÕES SOBRE THEMAS DO ECCLESIASTES

I

A Celestino Steffanina