(A PIO CAVALHEIRO)
Passou junto de nós, pedindo esmola,
Uma creança rota, magra, invalida.
Deitaste-lhe dinheiro na sacola,
Beijaste-lhe em seguida a face pallida.
Que feliz foi o pobre da sacola!
O seu desejo era bem mais modesto.
Podias dar-lhe unicamente a esmola
E a mim—dares-me o resto…
Em wagon
A chaminé vomita fumarada.
A machina assobia: parto emfim.
Na gare, ao longe, a minha namorada
Agita o lenço branco para mim.
Como rectas traçadas a namkim,
Sobre um fundo ceruleo de aguada,
Vejo no espaço nitidas, assim,
As linhas telegraphicas da estrada.
O sol, hostia de luz resplandecente,
Vae-se elevando gloriosamente
Na abobada vastissima dos ceus
E dois choupos batidos pelo vento
Curvam-se num ligeiro cumprimento,
Cerimoniosos, a dizer-me adeus…
Blasphemia santa
Jurou-me eterno amor. A noite ia cahindo.
E, entre outras phantasias,
Eu disse-lhe sorrindo: