O barão quasi calvo, de olhar vago,
Disse a sorrir, curvado na cadeira:
—A vida é isto. E despejou d'um trago
Um calix de Madeira.
Ao fundo, um par de jovens namorados
Fazia brindes intimos de amor
E a digestão punha nos convidados
Um languido torpor.
Ouviu-se então, em voz de confidencia,
Dizer á baroneza um titular:
—Minha Senhora, creia-me Vocencia,
A vida—é esse olhar…
Carmen
Sobre as dobras rendadas da mantilha
Brilham-te, como soes em pleno dia,
Os olhos mais galantes de Sevilha
Na fronte mais gentil d'Andaluzia.
A tua voz ao som da guitarrilha
Tem vibrações extranhas d'harmonia.
Ninguem canta melhor a seguidilha
N'esse paiz do Amor e da Alegria.
Nas voltas caprichosas do bolero
Não tens rival em graça e em salero
Carmen gentil, oh flôr das hispanholas!
Tu fazes-me o effeito inebriante
Dos vinhos de Xerez e de Alicante
Quando bailas ao som das castanholas!
Fervet amor
A conversa cahiu no casamento.
E defronte de nós, n'esse momento,
Noivava um par alegre de pardaes.