Diga-nos, então, como foi essa historia do seu casamento; como é que a sua mulher fugiu de casa.
—Ora... não fallemos de coisas tristes. Eu já lh’o contei e o senhor bem o sabe. Compram-me uma cautella?
—Mas desejo—insisti—que este meu amigo oiça tudo da sua propria bocca...
Sorriu, olhou interrogativo para nós ambos e perguntou:
—Porque? Este senhor conhece-a?—E mudando para um tom energico e quasi enfurecido:—Sabe onde ella mora?
Fizemos-lhe signal negativo, e Lucas retomando a sua expressão habitual de paciencia e doçura disse:
—São coisas de que me não quero lembrar. Lá vae, acabou, leve o diabo paixões e mais quem com ellas engorda. Aquella mulher andou muito mal comigo... Eu fazia-lhe tudo quanto ella queria, dava-lhe muita libardade... Foi talvez por isso que recebi o pago que tive...
—Alguem que a desencaminhou... alguma companheira...—insinuou o meu amigo.
—Ná... ná... sempre teve aquella queda. Era muito chibante e espirituosa, não era senhora para mim. Foi uma asneira... Passou—resumiu tristemente.