Os circumstantes riram-se; o frade afastou-se trombudo; e, por agora, o advogado ficou victorioso, mostrando-o d’um modo saliente.

Como andavam sempre juntos, de momento a momento se levantavam novas birras. O dr. Leandro, que era magro, pertinaz e acintoso estava sempre a espicaçar o egresso. Nunca o convidava para jantar, sem que o numero de convivas fosse par. Levava-os ao jardim para verem as flores e notava-lhes, sempre com insistencia, que as disposera pelo systema de parelhas (de coices—acrescentava o frade). Se tinha de abrir uma janella procurava logo estabelecer uma corrente d’ar, escancarando outra, o que endiabrava o clerigo, que vivia no terror das constipações. Em tudo se mostrava o rancor d’estes dois irreconciliaveis amigos. Indo no seu habitual passeio, se encontravam alguem a cavallo, o sacerdote aproveitava logo o momento para dizer:

—Bonita egua! Não haverá outra como ella, para a emparelhar?

O dono, se era vaidoso, respondia indubitavelmente:

—Nunca a encontrei. Pois tenho corrido um rôr de feiras!

O sacerdote insuflava n’um sarcasmo mordente:

—É porque não procurou bem. Aqui este senhor era capaz de lh’a arranjar.

—Pois não arranjaste!—duvidava o dono da egua.