Para satisfazer a curiosidade de Joanna, sempre foi desatando os barbantes, com precauções e cautelas, na convicção de que era coisa que lhe não pertencia. Encontrou outra roupa, perfeitamente egual á sua. Não podia presumir brincadeira tão pesada do seu amigo, e, como elle morava perto, mandou-o chamar.
—Sabe para quem é esta coisa?—perguntou serenamente.
—Eu! Como posso advinhar?!
—Nada de brincadeiras—avisou. Será para si?
—Não gasto d’esses luxos. Nem eu cabia dentro d’este pé de meia—retorquiu ironicamente o frade, suspendendo as calças no ar.
—Mas com mil demonios!—interroga colericamente o doutor. Sabe ou não sabe?! Responda.
O frade respondeu com todo o socego:
—É provavel que seja para si. Em Braga, ninguem ignora que o senhor é dois!
O doutor adiantando-se, poz-lhe diante dos olhos um punho cerrado.
—Sabe o que eu ignorava?—gritou. É que o senhor fosse um pedaço d’asno como é!... Que o arrebento, seu odre!