Segredo 54.º

Para fazer tinta de qualquer côr com facilidade, e as letras que estão em papel quasi safadas se acharem a ponto de se lerem

Deve haver tinteiro separado para cada tinta, para que uma não corrompa a outra.

Para fazer tinta vermelha, pizam-se flores de papoula, espremidas, o sumo que deitarem, coado, posto um pouco ao sol, para que engrosse e não corra tanto, se faz tinta vermelha bastantemente.

Para fazer tinta verde, faz-se a mesma operação com os concelleiros que nascem pelas paredes, e da mesma maneira ficará tinta verde.

Para a tinta roxa, do mesmo modo se fará da flor do lyrio.

Para tinta amarella, egualmente se faz com flôr do pampiro.

E assim para qualquer outra tinta que quizermos fazer, buscaremos a herva da côr da tinta que quizermos fazer, e do mesmo modo que fica dito se fará.

E para fazer que as letras que estão em papel que mal se enxerguem por estarem gastas pelo tempo se possam lêr, se molhará um panno de baeta em ourina fresca, levemente se esfregam as letras com elle, que depois se poderão lêr.{49}

Segredo 55.º