Subi ás nuvens. O recadinho vinha escripto no reverso da prova de uma das minhas mais mimosas poesias.

Tomei a penna e desanquei o recado com esta resposta:

«Illm. Sr.—Que eu deva não admira, todos os autores celebres têm contrahido dividas com a imprensa, e sabem todos que a machina inventada por Guttemberg não é simplesmente machina de imprimir, é tambem machina de abonar o credito dos homens. O que, porém, admira até os calcanhares é um sectario de Guttemberg menospresar a seiva, digamos assim, de que se nutre a imprensa, isto é, os fructos da intelligencia. V. S. é um renegado, queira perdoar. Commetteu{40} crime de leza-literattura-nacional traçando o seu recado nas costas, digo, no reverso da prova da minha poesia intitulada a Piroga! Suspenda, portanto, a continuação da impressão do meu volume, até minha segunda ordem.»

Levou a lição!

[CAPITULO V.]

Em verdade, eu devia ao prélo cento e treze mil e quinhentos réis.

Do que me gabo hoje é que, actualmente nas typographias, o credito dos escriptores não monta áquella quantia.

—Diabo!.. ruminei, alguns jornaes já annunciaram o proximo apparecimento de minhas poesias: se não satisfaço a conta pára a impressão; se a impressão pára, começam os typographos a decorar os versos impressos... elles então que são cantadores de modinhas! e decorados, adeus novidade! Ruminando na solucção do imprevisto embaraço, fui interrompido pelo padre Severino. Conhecem-o?

Eu tambem já o-conhecia.{41}

O reverendo entrou pelo meu habitaculo clamando: