—A quem deve?{44}

—Á typographia onde estou imprimindo as minhas poesias.

—Vossê ha de ter algum amigo, que lhe empreste essa quantia, nem por isso é grande.

—Empresta-m'a o padre?

—Eu? pobre de mim! Meu caro, nós os padres não ganhamos, como vulgarmente se pensa, mundos e fundos. Quantas vezes tenho, em vez de encommendar á Deus, encommendado ao diabo algumas almas... uma encommendação por dous mil réis só feita ao diabo! Já não se póde viver nesta côrte, acredite-me, encommendando; e por fallar nisto, vou vêr se fallo ao vigario capitular, quero conseguir ao menos, a nomeação de vigario encommendado. Até breve, meu poeta. Tomára já vêl-o em outra posição.

E sahio.

E que me dizem?...

[CAPITULO VII.]

Suggerio-me á mente uma ideia a visita do padre. Havia elle, dias antes, publicado{45} um estirado artigo relativamente á instrucção publica e com particularidade á desmoralisação do clero. Quanto a esta não sei se fallou de cadeira, lá quanto á instrucção deixou impressas mil barbaridades.

—Se o conselho da instrucção publica, pensei, mandasse admittir nas escolas as minhas maximas? E porque não? As de La Rochefoucauld são muito sediças; as do marquez de Maricá inadmissiveis por extensas; as de Vauvenargues ninguem ainda leu; as do conselheiro Bastos ultramontanas exageradas; as de Montesquieu são carapuças politicas; as... as minhas são modernas... e, approvadas pelo conselho da instrucção publica, editores não faltarão.