Alves não se intimidou e asseverou;

—É, é, e é ladrão, e ladrão refinado...

O meu amigo não podia ser mais prudente do que o foi até alli. A prudencia, porém, tem o seu termo. Alves não previu que, obrigando o honrado refinador a sahir fóra do termo da prudencia uma pollegada, sugeitava-se a receber, como recebeu, na cara a escumadeira impregnada de assucar em calda a ferver. Sem esperar repetição da dóse, Alves sahio vendendo mel ás canadas.

Quinze dias depois tinha a mesma cara, menos a pelle.

Propalado o caso, deu-se ao meu amigo o cognome citado, que nada teve com a substituição do assucar trocado por arêa, como prova a carta a qual me repórto.

[CAPITULO X.]

Eis a carta em capitulo separado.

«Illm. Sr. (Historica.)

Presadissimo amigo.

«Inclusa remetto a V. S. uma letra saccada{53} a seu favor sobre a casa Souto & C., dessa côrte, obsequio que faço a sua madrinha de baptismo, viuva do seu padrinho, ultimamente fallecido. Sendo-lhe deixada em testamento pelo dito fallecido, pelo que aceite os meus pezames, a quantia de 450$000, a letra vai saccada no valor de 437$820 por subtração a que tenho direito de 12$180, sendo: