O dono da casa aproximou-se-me dizendo;
—Veja isto; um homem, que calça luvas de pellica, almoça, janta e ceia no hotel da Europa, sahe d'aqui deixando o debito de dous mil setecentos e sessenta réis. Ha de vêr que é sustentado por alguma...
Não o-deixei acabar, todo o corpo se me arrepiou...
—Um calix de cognac!
[CAPITULO XVIII.]
Sorvendo a ultima gota do licor, affigurou-se-me Monica arrumando as malas.
—Monica vai para Paris, disse entre mim. O Sr, Joaquim já é barão... e eu aqui fico, sem eira nem beira... nem ao menos sou commendador!... Paris! todos fallam em Paris e eu mesmo já o-descrevi em verso, sem ainda lá ter ido:{90}
Paris! Paris! Paris! terra de encantos,
Eterno, ebri-festante paraiso,
Aonde os risos de prazer são tantos,
Que só é sério quem não tem juizo!...
As melhores descripções são devidas aos que pintam lugares, que nunca viram. Isto já passa em julgado e, passará a anexim, quando apparecer o meu romance passado om Djirjeh, no alto Egypto, aonde não pretendo jámais pizar.