Na baça pallidez d'um terraço sumptuoso,
Feito para um sultão se embriagar de gòso,
Da pallida Dinah, a pallida figura
Sorvia, n'um anceio, errando pela altura,
Um desejo sem fórma, ethereo, fluctuante,
Uma vaga chiméra, uma chiméra errante!
Sonho tão ideal, coisa tão indecisa
Que lembrava o fugir incerto d'uma brisa.
Emquanto o vasto mar, rolando de mansinho,
Dolente, meigo, azul cantava de baixinho
Balladas provençaes d'uma immensa ternura
E Dinah, desejando, errava pela altura,
Passa uma náu antiga, uma náu de cruzados,
Épicos, triumphaes nos elmos emplumados!
E o mais louro e gentil, o mais devaneador,
Um principe lorêno, heroe e trovador,
Vendo subitamente o seu corpo d'ondina,
Diz n'um deslumbramento: «Oh Deus! Como és divina!
«Dá-me um cabello teu, um só, oh feiticeira!
«Que eu dou-te a minha gloria immensa e carniceira.