—Levante-se, homem! Isto aqui não é capella.

O pedreiro teimava, achava-se bem n'aquella postura que o dispensava de procurar outra.

—Sua magestade manda-o levantar—disse o visconde Nunes.

Ergueu-se, e n'um impeto silencioso ia entregar a carta ao da cadeira, quando o capellão-mór lhe observou que as cartas se entregavam ao secretario.

O barão expoz que não pudéra resistir aos pedidos que aquelle honrado legitimista lhe fizera para o acompanhar, porque não se atrevia a entrar sósinho á presença d'el-rei, seu amo. Que era filho de um bravo alferes, o Gaspar das Lamellas, que em 1838, á frente de 300 homens, atacára a villa de Santo Thyrso, dando vivas a el-rei. Contou a façanha de atravessar o Ave a nado em janeiro, com a espada nos dentes, e que por causa d'isso entrévecera e nunca mais se levantou.

—Oh!—interjecionou compungidamente o monarcha.—Eu ignorava esse notavel ataque ... estava em Roma, sem noticias... Digno homem o meu honrado e bravo ... como se chama seu pai?

—Saberá vossa magestade que se chama Gaspar Ferreira.

E o rei:

—Visconde, escreva na lista.

O Nunes sentou-se á mesa, pedindo venia a sua magestade que ditou: