--Estou em casa da snr.a D. Thereza de Sousa, proprietaria em S. Cosme, tão boa, como rica.
Ha um anno, que eu e minha avó não sabiamos aonde nos haviamos de recolher; estavamos em Dezembro, e havia dous dias que não tinhamos comido, quando de repente me lembrei da snr.a D. Thereza. Eu e minha avó, que então moravamos na serra de Vallongo, pozemos-nos a caminho para S. Cosme. O caminho é muito mau, por isso mais d'uma occasião julguei que minha avó ficava na estrada, porque já não podia andar; mas o Senhor teve misericordia de nós, e felizmente terminamos a jornada. A snr.a D. Thereza tratou-nos com muita bondade, e recolheu-nos em sua casa, apesar de sermos um encargo muito pesado.
--Amas então muito a snr.a D. Thereza?
--Se a amo. Não queria mais nada, senão poder reconhecer todo o bem, que nos faz. Não desejo senão crescer e robustecer para lhe poder servir d'utilidade.
--Estou muito contente, minha pequena, por te ouvir fallar assim. Quando te vi senti-me attrahida para ti, e ficaria muito desgostosa se te não encontrasse com sentimentos dignos da estima que te consagro.
Parece-me que o meu cesto está acabado?
--Ainda lhe falta uma cercadura de não me deixes. Permitti, senhora, que eu vá ao proximo ribeiro colher estas flôres, porque alli as ha mais frescas, e em mais abundancia.
--Ide, que aqui te espero.
Rosa partiu correndo.
D. Julia d'Andrade, que tanto interesse mostrava pela protegida de D. Thereza, tinha vinte annos.