--Uma lavradeira?!

--Sim, minha senhora. E acreditareis, minha mãi, que por todo este trabalho me pediu a grande quantia de quatro vintens?

--Não te pergunto quanto lhe déste, por que conheço a bondade do teu coração, e tenho a firme convicção de que não abusaste da sua simplicidade.

--Dei-lhe só meia corôa, por que não tinha mais na minha bolsinha. Não queria recebel-a, ajuizando que lh'a dava como uma esmola; mas tanto fiz que a aceitou, e convencionei com Rosa, (pois a minha ramalheteira assim se chama) para nos encontrarmos ámanhã, no mesmo sitio, á mesma hora; e se ella, como penso, fôr digna da sympathia, que me inspirou, e do interesse que já me causa, consentir-me-heis, minha boa mãi, que a tome sob a minha protecção?

--Consinto em tudo, minha filha, que te dê prazer, e distracção. Se a tua protegida fôr digna dos nossos beneficios, unir-me-hei comtigo, e accordaremos no que devemos fazer para seu bem.

D. Julia abraçou com ternura a viscondessa, e agradeceu-lhe a sua bondade.

N'este comenos, a viscondessa e sua filha, chegaram a casa.

D. Julia collocou com muito cuidado sobre uma mesa da sala o cestinho, e correu com presteza ao seu quarto a preparar um cavallete, pinceis e tintas para dar principio ao quadro projectado, e, tendo tudo disposto, desceu á sala a buscal-o.

D. Bertha estava examinando o cestinho com attençào e minuciosidade.

--Não estão tão bem dispostas e combinadas essas flôres, Bertha?--disse D. Julia.