--Não tenho muitos livros. Além d'este possuo um cathecismo, uma vida de santos, de que leio uma pagina cada domingo, e mais uns livrinhos d'historias bonitas. Esquecia-me dizer-vos, que tambem tenho um livro de geographia, que me deu o mestre escóla da minha freguezia, mas que não leio, por que tem muitas palavras, que não entendo.
--Pelo que me dizes conheço que tens desejos de te instruires. Se te proporcionassem os meios de o fazeres, serias feliz?
--Seria, sim, minha senhora; mas infelizmente isso é impossivel, porque, para ir todos os dias á mestra, é preciso ser muito rica.
--Mas se te mandassem á mestra?--insistiu D. Julia.
--Seria muito feliz, mas nem quero pensar n'isso.
--Pelo contrario; eu e minha mãi, viemos procurar-te para que nos conduzisses a casa da snr.a D. Thereza, e, se a tua protectora estiver satisfeita comtigo, pedir-lhe-hemos para te deixar ir todos os dias á mestra. Então não respondes?
--Perdoai-me, senhora. Estou muito contente e alegre, e queria agradecer-vos, mas não posso. Que fiz eu para merecer tantos beneficios?
--Mostraste-te reconhecida aos beneficios da snr.a D. Thereza, e isso indica um bom coração; és trabalhadeira e tens desejos de te instruires; mereces portanto que nos interessemos por ti--lhe disse a viscondessa.--Vamos, ensina-nos o caminho para a quinta da snr.a D. Thereza.
Rosa, commovida, dirigiu-se para a quinta com a viscondessa e sua filha. Pelo caminho respondeu modestamente, e com graça, a todas as perguntas, que lhe fizeram, e cada uma das respostas confirmou mais, as duas senhoras, no bom conceito, que tinham formado de Rosa.
Quando chegaram á quinta, D. Thereza não estava em casa, mas não devia tardar muito, por isso esperaram. Rosa apresentou ás duas senhoras cadeiras para se sentarem e offereceu-lhes um copinho de leite fresco e morno.