Ah! vocês riam-se dos versos? Tens tu a felicidade{154} bestial de te rires da poesia? O talento póde contar com o couce até em Barcellos... Ora vamos... onde tenho eu quarto?

Creado (indicando-lhe um do fundo)

Está alli o n.º 11.

Guterres

Bem. Podes ir. (Entra na alcova. O creado sáe.)

SCENA V

ANICETO SAINDO COM O CASTIÇAL EM PUNHO

Não posso adormecer com a idêa de que ha uma janella no quarto de Victorina. Aquelle maldito não me deixa socegar em parte nenhuma. Receio que elle me siga por que o lobriguei quando passávamos em Vallongo; e ella tambem o viu. Quem me diz a mim que o tratante{155} nos não persegue, e anda á volta da casa? Cuidar aquelle valdevinos que se pôde com uma flauta arranjar uma rapariga com fortuna! Ha dous annos que minha filha está enfeitiçada por um trocatintas d'um estudante que conseguiu seduzir o coração d'uma menina que regeitou os melhores casamentos de Penafiel e Amarante! Afinal, não hasde vencer, sarrafaçal! Eu tolherei todos os teus calculos. Não me pilharás descuidado um instante! Mas aquella janella assusta-me. Vou fazer mudar Victorina para o meu quarto. (Olhando para o alto da porta) E de mais a mais esta porta tem vidraça em cima. Se elle aqui entrar, ella póde vêl-o d'alli... Que imprudencia eu ia commettendo! (Bate a porta) Victorina, Victorina!

Victorina (dentro)

Quem é?