ACTO SEGUNDO
Vista de arraial. É noute. Festões de lampadas de papel variegado pendem dos ramalhos das arvores. Mulheres a frigir, ao lado das pipas cobertas de ramos de folhagem. Barracas com botequins. Multidão de povo a beber á volta das pipas. Sinos repicando, e estouros de foguetes. D'ambos os lados da scena, mas fóra, se canta o «S. João» com vozes alternadas. Frederico passeia por entre o povo, mirando as raparigas. Os dois já conhecidos creados de Pantaleão, com as pernas encruzadas nos varapáos, medem d'alto a baixo Frederico, e rompem a jogal-os um com outro. Frederico, por uma das suas evoluções maravilhosas de rapidez, desapparece. O povo ri-se, e elle reapparece logo, seguido por trez cabos armados. Os cabos usam bonet com debrum azul. Cessam as cantilenas, e rompe a banda musical de Santo Thyrso, estrondosa em trompões, a qual entra em scena tocando uma marcha. Os musicos uniformes, de calça branca, casaco azul com vivos amarellos, o bonet avivado da mesma côr. As figuras podem caracterisar-se caprichosamente. Em seguida, entra a Morgadinha, com o pae, Macario, Cosme Giraldes, e João Lopes. Cosme Giraldes é um sugeito gordo, aspeito serio, com os seus oculos, um todo de summa gravidade. Os circumstantes cedem o logar aos recem-chegados, que formam grupos.
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SCENA I
TODOS OS DESCRIPTOS (GRUPO DA MORGADINHA E COSME GIRALDES)
Cosme (com gesto de orador e com grandes pausas, á Morgadinha)
A festa animou-se com a auspiciosa chegada de V. Ex.ª O sol do empyreo e uma senhora bella, que é o sol dos corações sensiveis, onde brilham, tudo reanimam. Assaz ditoso me julgo em ser o mais feliz dos mortaes que se sentem influenciados e enthusiasmados pelos lumes encantadores de V. Ex.ª Falta, todavia, á minha completa dita a certeza de que os meus affectuosos requebros acham graça nos seus olhos.
Morgadinha (com desdem)
Eu não lhe acho graça nenhuma.