A sciencia é sempre orgulhosa. Façamos pazes e alliança, snr. Macario Mendes. Eu, com a minha sciencia das coisas espirituaes e o snr. com a sua sciencia do bazalicão e do oleo de mamona, podemos dominar este concelho, reunidas as duas forças n'uma aspiração unica. Por que me faz guerra inexoravel e crua, snr. Macario? Que lucra em impedir o meu consorcio com a Morgadinha? Por que anda o snr. servindo de alcaiote d'este alarve de Guimarães, que é o trompão grandioso das maiores asneiras civicas assopradas na charanga parlamentar? O officio do snr. Macario, n'este negocio, desacredita um pharmaceutico, que reune ao conhecimento do gamão, sciencia não vulgar da historia dos doze Pares de França, e tem orvalhado com lagrimas os fastos sanguinosos de Roncesvalhes.{94}

Macario

Vá mangar com o diabo que o leve... Eu lhe mostrarei brevemente quem é Macario Mendes... (Sáe.)

SCENA VII

FREDERICO, JOÃO LOPES, E CABOS

(As cantadeiras que no fim do 1.º acto acompanharam a morgada entram a cantar a moda com que se fechou o dito acto:)

D'onde vens, ó velha,
Eu venho da feira, etc.

(N'um intervalo da 1.ª á 2.ª trova João Lopes acerca-se de Frederico com disfarce)

João Lopes

Olhe, se foge, que o snr. vae levar pancada de crear bicho. Estão-se a preparar os valentões.{95} (Frederico apita rijo. Apparecem de differentes sahidas 6 cabos de policia que escutam Frederico, em quanto se repete a cantilena. Finda a cantilena, ouve-se fóra o rumor da desordem, e o estalido dos varapáos. As cantadeiras fogem alvoroçadas a dar gritos.)