—Aquella é a sr.^a D. Iphigenia.
—Vou rasgar aquelle diabo!—berrou a morgada, puchando uma cadeira para trepar.
—Isso alto lá, minha senhora!—acudiu irada a dispenseira—V. ex.^a não estraga coisa nenhuma. E, se continua n'esse disparate, eu mando chamar o cabo da rua para a pôr lá fóra.
—Pôr-me a mim lá fóra?! bradou Theodora!
—Sim, minha senhora, que isto não são termos. Nem me parece senhora! cá em Lisboa acções d'estas só as praticam as peixeiras.
Paulo foi ao pé da sobrinha, e disse-lhe:
—Theodora, vamos. A mulher tem razão, porque é criada da casa e tem de dar contas.
—Não sou criada; sou aia da fidalga—corregiu a viuva, offendida nas dragonas do seu defunto tenente.
—Aia, ou o diabo que é—tornou Paulo—Vem d'ahi, sobrinha—e tirou-a pelo braço, em quanto ella assestava os punhos fechados ao retrato de Iphigenia.
Á saida d'aquella casa, D. Theodora, a consorte fiel, a mulher que fez eclypse nas virtudes conjugaes do Indostão, sentiu quebrar-se o ultimo cabello que a prendia á historia das esposas exemplares.