—O que eu antes de hontem vi foi a face do ancião lavada de lagrimas. O que eu vi hontem á noite foi Duarte de Malafaya fitar os olhos nas creancinhas, e escondel-os para que o não vissem chorar. O que hoje verei em casa do desembargador Sarmento, se v. ex.^a o não presagia… Não temos tempo para conjecturas: a chaga deve ser cauterisada já, para não ser gangrena ámanhã. Quer v. ex.^a ajudar-me a conjurar a nuvem negra que vae rasgar-se em torrentes de desgraças?

D. Bruno reflectiu dois segundos, como se houvesse pejo de responder, no primeiro instante:

—Da melhor vontade. Eu desisto d'estas relações, para evitar desgostos serios á sr.^a D. Catharina.

—Falla-me um honrado portuguez, que tem o appellido dos Mascarenhas? perguntou com solemnidade o Barbuda.

—Juro pela honra de meus avós.

—Que vae fazer v. ex.^a?—tornou Calisto.

—Antecipo um passeio que mais tarde tencionava fazer á Europa. Parto no paquete de ámanhã para França.

—Sem dizer, nem fazer saber á sr.^a D. Catharina que esteve aqui um amigo do desembargador Sarmento…

—Nada direi sr. Barbuda.

—Aperto-lhe e beijo esta mão. Agradeço-lh'o em nome dos cinco filhos de
Duarte de Malafaya, ou dos cinco anjos que lhe chamam pae.