Fiquei suspenso, e prometti refutar semelhantes despropositos, quando escrevesse este romance. Desisto da tenção formada.

Antes quero que o leitor discuta e abysme as senhoras que injuriaram o pobre moço, e acharam extrema graça e galhardia de animo no conde de Rohan.

Entretanto, Paulina, ao despedir-se de Fernando, abraçou-o com exterioridades de muito affecto, e pediu-lhe que não chorasse, accrescentando:

—Tu podes contar sempre comigo, Fernando. Esperanças de que meu pae consinta no casamento, não levo nenhuma; mas se tu entenderes que, por meios da justiça, podemos conseguir os nossos desejos, tão desgraçadamente contrariados quando eu me julgava e te julgava feliz, estou prompta a requerer.

Notem a frialdade d'esta linguagem! Fernando, Eugenia e Almeida todos a notaram. Elle, porém, beijou-lhe a mão, e disse:

—Vae, minha amiga, e esquece-me, se quizeres e poderes. O que nunca poderás esquecer é que o homem, que te não servia para o coração, tinha alguma boa qualidade que ha de eternamente viver em tua memoria. Antes esquecido por ti, que deshonrado por amor de ti, Paulina.

Sobreveiu o secretario com reflexões tendentes a conciliar os animos despeitados dos dois tão amantes, tão doidos de alegria, algumas horas antes; e agora, a separarem-se, com a desconfiança n'alma, a desconfiança que é quasi sempre a doença morta do coração!

Paulina desceu, chorando, encostada ao braço de Almeida.

O filho do artista lembrou-se, n'este acerbo momento, de sua mãe, porque teve precisão de orar, e quem lhe ensinara a oração fôra sua mãe.

Deixemo-lo orar e chorar. Preces e lagrimas assim, os anjos as levam ao Senhor. Áquellas almas disse Jesus: «pedi, e sereis attendidas.»