—Que vou eu fazer a casa do juiz?

—Saber de seu filho como isto foi.

—Eu não sou pae: sou corregedor. Não me incumbe a mim interrogal-o, Senhora D. Rita, eu não quero ouvir choradeiras; diga ás meninas que se calem, ou que vão chorar no quintal.

O meirinho chamado relatou miudamente o que sabia, e disse ter-se verificado que o amor á filha do Albuquerque fôra causa d'aquelle desastre.

Domingos Botelho, ouvida a historia, disse ao meirinho:

—O juiz de fóra que cumpra as leis. Se elle não fôr rigoroso, eu o obrigarei a sêl-o.

Ausente o meirinho, disse D. Rita Preciosa ao marido:

—Que significa esse modo de fallar de seu filho?

—Significa que sou corregedor d'esta comarca, e que não protejo assassinos por ciumes, e ciumes da filha de um homem, que eu detesto. Eu antes queria vêr mil vezes morto Simão, que ligado a essa familia. Escrevi-lhe muitas vezes dizendo-lhe que o expulsava de minha casa, se alguem me désse a certeza de que elle tinha correspondencia com tal mulher. Não ha de querer a senhora que eu vá sacrificar a minha integridade a um filho desobediente, e de mais a mais homicida.

D. Rita, algum tanto por affecto maternal e bastante por espirito de contradicção, contendeu largo espaço; mas desistiu, obrigada pela insolita pertinacia e cólera do marido. Tão iracundo e aspero em palavras nunca o ella vira. Quando lhe elle disse: «Senhora, em coisas de pouca monta o seu dominio era toleravel; em questões de honra, o seu dominio acabou: Deixe-me!»—D. Rita, quando tal ouviu, e reparou na physionomia de Domingos Botelho, sentiu-se mulher, e retirou-se.