—Assento-me aqui ao pé de ti e vamos conversando. Como te chamas?

—Rosa de Jesus, uma sua criada, minha senhora.

—Assim, Rosa, o teu trabalho é fazer cestos de flôres para depois os ires vender?

—Sim, minha senhora.

—E teus paes em que se occupam?

—Já não tenho paes; só me resta minha avó, que é cega.

—És orphã, e onde moras?

—Estou em casa da snr.ª D. Thereza de Sousa, proprietaria em S. Cosme, tão boa, como rica.

Ha um anno, que eu e minha avó não sabiamos aonde nos haviamos de recolher; estavamos em Dezembro, e havia dous dias que não tinhamos comido, quando de repente me lembrei da snr.ª D. Thereza. Eu e minha avó, que então moravamos na serra de Vallongo, pozemos-nos a caminho para S. Cosme. O caminho é muito mau, por isso mais d'uma occasião julguei que minha avó ficava na estrada, porque já não podia andar; mas o Senhor teve misericordia de nós, e felizmente terminamos a jornada. A snr.ª D. Thereza tratou-nos com muita bondade, e recolheu-nos em sua casa, apesar de sermos um encargo muito pesado.

—Amas então muito a snr.ª D. Thereza?