—Sim, Rosa. Ah! é verdade; ainda te não contei o encontro, que tive esta manhã. Ora ouve.

D. Julia contou a sua irmã minuciosamente toda a conversa, que tivera com Rosa.

Quando ella acabou, D. Bertha fez um gesto de desdem.

—E, sem duvida, Julia, já te affeiçoas-te a essa pequena; não é assim?—disse D. Bertha.

—Rosa,—respondeu unicamente D. Julia—tem merecimento bastante, que a torna digna da protecção, que se lhe dispensar.

—O que mais me admira e me espanta, Julia, é a rapidez com que sympathisas com qualquer, e como instantaneamente conheces e decides, que essa pessoa é digna da tua affeição e amisade... Não quero tomar-te o tempo; julgo que vinhas buscar o teu lindo cestinho, não é assim?

—Vinha, sim, para o ir copiar em um quadro, pintando-o.

—Pintal-o?!—disse D. Bertha, dando uma grande gargalhada.—Que liguemos alguma attenção ás flôres dos nossos parques e jardins, concedo; mas que empreguemos o tempo e o talento com as silvestres, que só tem os perfumes para si, parece-me uma singularidade esquisita.

—A minha opinião, Bertha, é exactamente o contrario. Mas isso não admira, por que nós raras vezes estamos accordes sobre qualquer materia. Ponhamos isso de parte; queres tu vir ámanhã, commigo e com a nossa boa mãi, vêr Rosa?

—Não posso. Combinei com a Francisquinha e Ritinha Meirelles virem amanhã aqui passar o dia. Além d'isso, fallar-te-hei francamente, não ha nada para mim mais antipathico do que todas essas lavradeiras; e andar uma legua para me ir achar face a face com um monstrosinho, parece-me um tanto aborrecivel.