Os criados, assustados, cercaram D. Thereza. Recolheram-na á cama, e partiu immediatamente um criado a chamar, a toda a pressa, um cirurgião.
Chegou este, e, mal viu a doente, não deu esperanças de a salvar.
—Foi uma apoplexia fulminante—disse elle—é já tarde para se lhe dar remedio.
O desespero e a consternação espalharam-se na quinta.
Os criados em geral estimavam muito D. Thereza, por que, apesar de ser muito vigilante, era boa e justa.
Os menores movimentos do cirurgião eram seguidos com anciedade por todos os criados, mas entre elles tornava-se saliente Rosa pelo zelo e actividade, que desenvolvia em executar as prescripções do cirurgião, ainda bem não estavam dadas.
Rosa não podia crêr que Deus lhe quizesse roubar a sua bemfeitora, e esperava ainda que uma crise feliz a restituiria á vida.
A avó de Rosa estava consternadissima, e o seu maior pesar consistia em não poder fazer cousa alguma.
De joelhos; junto do leito de D. Thereza, rezava com fervor e devoção.
Entre as alternativas da esperança e desconforto se passou o dia. Á noite o cirurgião declarou que já lhe não restava esperança alguma; que D. Thereza ainda podia viver mais um dia ou dous, mas que não proferiria mais uma palavra, nem faria um unico movimento.