Suscipe, Domine, secundum eloquium tuum, et vivam, et non confundas me ab expectatione mea.
Carlota foi ajoelhar ante o altar da Virgem, e depôz no respaldo do altar a carta da profissão. O côro cantava, entretanto, um Gloria de tristissima toada.
D'alli, foi ao meio do côro a professante, e ajoelhou sobre uma alcatifa entre quatro candelabros; ajoelharam todos, e entoaram uma ladainha, acompanhada a orgão, e instrumental.
As freiras assistentes ergueram nos braços a noviça, emquanto se cantava o Veni, creator Spiritus, invocação de tanta religiosidade e compunção, que as lagrimas saltaram a um tempo de todos os olhos.
Carlota foi prostrar-se diante da abbadessa, que a despiu, ao passo que a trança dos cabellos era deposta n'uma salva de prata. Cingiram-lhe depois a touca e o véo, que o celebrante aspergira e incensara, e ajoelharam com ella. «Recebe, donzella, o véo sagrado—disse a abbadessa, impondo-lh'o na cabeça—para que chegues sem mácula ao tribunal de nosso Senhor Jesus Christo, ao qual se dobram os joelhos no céo, na terra, e no inferno por toda a eternidade.» Sobre o hombro direito lhe collocaram em seguida umas disciplinas, acompanhando a acção com estas palavras: «Recebe, ó cara irmã, as armas da tua milicia».
O celebrante entoou uma oração, durante a qual as lagrimas da professante manavam copiosamente sobre as mãos de soror Rufina, que lhe amparava o rosto.
A prelada proferia as ultimas palavras da benção final, o orgão acompanhava Benedictio Dei Patris, esse hymno de acção de graças, que os anjos parecia sublimarem em accordes de celestial melodia, quando entrou na igreja um mancebo com tal impeto, que se fez reparado ás pessoas por entre as quaes rompeu com precipitada vehemencia.
—Já professou?—perguntou o individuo machinalmente a um rosto conhecido que proferira o seu nome,
—Agora mesmo.
—Professa!—exclamou Francisco Salter de Mendonça, correndo para as grades do côro—Professa! Tudo perdido, tudo perdido!