FIM

[[1]] «No reinado do snr. rei D. Sebastião é que os Religiosos (regulares da 3.ª Ordem), amantes da patria, do serviço do rei, da sua gloria e do zêlo da religião catholica, a exemplo dos distinctos missionarios, que tinham fructificado tanto na Azia, foram á infausta jornada d'Africa, acompanhando os seus parentes e amigos, capellães dos terços e das náos de transportes, em serviço da corôa... ficando desde aquelles dias conservado o distincto logar de capellão-mór das armadas reaes em Religiosos d'esta congregação, por especial graça dos Soberanos d'esta monarchia.» Fr. Vicente Salgado. Compendio historico da Congregação da Terceira Ordem de Portugal. Lisboa 1793, 8.º, pag. 71, e seg. Ao mesmo preposito, veja o arcebispo Cenaculo nas Memorias historicas, Appendix Segundo, art. sobre a Capellania-mór, pag. 297, onde vem transcriptos excerptos das Ordenanças de Marinha de Filippe IV.

Não pareça prolixa e descabida a nota. Ha poucos mezes que mais de uma gazeta presumidamente illustrada fingia ignorar que os capellães da armada eram obrigados ao exercicio d'esse ministerio. O proveito d'esta simulada ignorancia rendia tão sómente aos publicistas injustos a satisfação de poderem denegrir o ministro do reino, de 1869, de miguelista em 1832, por que andára por aquelle tempo em navio do governo na qualidade de capellão. Não são estas impericias as de que mais se peja a liberdade de escrever. Seria mister que a ignorancia fosse, por meio da gazeta, contagiosa para que semelhantes aleivosias vingassem.

[[2]] Nos Apontamentos sobre oradores parlamentares em 1853 por um Deputado, (O snr. Joaquim Heliodoro da Cunha Rivara) lê-se ácerca do snr. Alves Martins: «Tem physionomia carrancuda e é um pouco desabrido no seu trato. Quando aggride o contrario, não usa precauções oratorias, nem cuida em lhe dourar a pilula. Está sempre em occasião proxima com o snr. Antonio da Cunha e, se travam lucta, não ficam a dever nada um ao outro.»

[[3]] Em 1849, José da Silva Passos, fiando demasiadamente da nossa idoneidade para historiador, nos convidou a escrever, sob sua influencia, a Historia da Junta do Porto. Como lhe perguntassemos que valor deviamos dar ao Nove de Outubro escripto pelo snr. Alves Martins, nos respondeu o ex-ministro da Junta: «Alves Martins não sympathisava comnosco. Se o tivessemos feito ministro da guerra, tudo isto tinha voado n'uma barrica de polvora.»

José Passos, gracejando, consoante o seu genio ás vezes brincão, n'aquellas palavras desconcertadas de sentido e substancia, elogiava involuntariamente a actividade resoluta de Alves Martins, e censurava a accomodaticia e transigente indole de alguns seus collegas postos em trabalhos onde o seu temperamento soffria grande violencia.